Por Maurício Santini
Em homenagem ao amigo e doce ator João Signorelli
O teatro, doce
ator, é uma das formas mais puras de mediunismo.
É pela arte de
contracenar que incorporamos os personagens e, muitas vezes, a alma.
Trajamos a roupa e
a carne, calçamos as sandálias e os pés.
Em muitos atos,
nos desnudamos. Noutros, usamos as máscaras.
E cada apresentação
é uma roda viva de encarnações.
A ação de encarnar
a luz não é para qualquer corpo, doce ator.
É tarefa dos que vestem
os figurinos do bem e da compaixão.
A psicofonia do
enredo, a voz que sai pelo coração só encontra eco nas cordas vocais de um instrumento
afinado.
Além disso, doce
ator, portar na testa a lanterna do olho que vê.
E auscultar o
silêncio das plateias ocultas que vibram as mensagens da não-violência, não é
mera coincidência!
Saiba, doce ator,
que o personagem escolhe o médium.
E que o hálito da Grande
Alma que da tua boca sai aos poucos produz o mel das palavras que adocicam a
vida de muitos.
Mudam-se os
cenários, trocam-se os vestuários.
Mas, o coração
fica, o coração é uma única peça só.
A iluminação vem
mais de dentro do que de fora.
E a trilha sonora
é o sibilar da alma que voa mais alto em direção ao espetáculo da vida!
Este é o destino
de uma boa companhia!
Saiba, doce ator,
que por detrás das cortinas daquilo que não se pode ver existem coxias que
cochicham obras divinas aos ouvidos que sabem ouvir.
São como preces
que chegam ao peito dos que assistem.
E a montagem, doce
ator, fica por conta do Grande Diretor do Universo!
Por final e sem
fim, doce ator, enquanto centenas de palmas juntam-se a ti pelos teatros e
espaços de improviso na Terra, os espaços siderais lotam suas arenas e aplaudem
cada gesto de sol,
cada palavra de
céu, cada oração, cada candura e devoção.
E a emoção de ser
parte, doce ator, da trupe que encena o amor.
Nos palcos da Grande
Alma do Artista!
