As vezes é no empurrão que vai.
Muitas vezes só dando um pé.
Milhares de vezes só pega no tranco.
O macio, o suave, o brando, o sereno, tudo isso tem limite.
Se não vai de um jeito, o Destino dá outro.
11.4.12
10.4.12
QUASE E TALVEZ DÁ CANSAÇO EMOCIONAL
Alguém já sentiu cansaço emocional? Uma estafa de sentimentos?
Este estado de estresse é gerado pela ansiedade do "talvez".
Há duas palavras que desanimam a minha alma: quase e talvez. Acho que estas duas palavras são manifestações expressas do medo. E o medo é um dos sete demônios do homem, conforme dizia Molinero, guru de raja yoga.
Estas expressões do "Quase" e do "Talvez" são cárceres privados e nos aprisionam numa cadeira preguiçosa. São represas de sentimentos, água parada. Manifestações do "murismo", sim, em cima do muro, e muro é obstáculo, barreira.
É natural que as pessoas tenham inseguranças e medos. Mas, cultivar sempre isso é como criar uma erva daninha, uma planta carnívora que pode roer a nossa coragem. E ter coragem é agir com o coração (cor, de coração + aggio, de agir).
Estou exausto do quase e do talvez.
Que tal o "sim", o "vai", o "foi"?
Este estado de estresse é gerado pela ansiedade do "talvez".
Há duas palavras que desanimam a minha alma: quase e talvez. Acho que estas duas palavras são manifestações expressas do medo. E o medo é um dos sete demônios do homem, conforme dizia Molinero, guru de raja yoga.
Estas expressões do "Quase" e do "Talvez" são cárceres privados e nos aprisionam numa cadeira preguiçosa. São represas de sentimentos, água parada. Manifestações do "murismo", sim, em cima do muro, e muro é obstáculo, barreira.
É natural que as pessoas tenham inseguranças e medos. Mas, cultivar sempre isso é como criar uma erva daninha, uma planta carnívora que pode roer a nossa coragem. E ter coragem é agir com o coração (cor, de coração + aggio, de agir).
Estou exausto do quase e do talvez.
Que tal o "sim", o "vai", o "foi"?
9.4.12
CONSELHO DO PAI JACÓ (recebido espiritualmente)
Oia, meu fio, vô dizê argo que pode te ajudá. Nóis aqui de cima não tem máscara, não dá pra fingir o que num sente. Aqui a gente assume o que é, o que gosta, o que sente e pensa. E isso é que determina onde a gente vai pará, se é no andar de baixo ou no andar de cima.
Tem um medo que é bão. É aquele que impede que nóis erra, que nós enfia a cabeça na lama. Mas, tem tanta gente que tem medo do nada, medo da cabeça, sabe? Porque a gente enfia tanta caraminhola que as minhoca fica tudo ouriçando... E nóis se boicota. Nóis trava. Mas, se a gente não tivé coragem nós não realiza nada nessa vida, nem na outra.
Como vois micê sempre diz: coragem é agí com coração.
Se a gente dá orvido as ameba, ela sai comendo tudo que é pensamento, até os bão e deixa nóis com cara de tacho e mente vazia. A gente tem que ouví o que o bubo diz. E o bubo é muito mais sábio que este preto aqui.
Não adianta se desesperá. Fica com o coração tranquilo e confia no Nosso Sinhô do Bonfim, entendeu?
Por hora eu já tô indo, mas vorto assim que vois micê precisá. E é bom que essa cambada de medroso que lê esse paper também possa sentir coragem. Porque aqui a gente vê um monte de mula que empaca por causa deste tar mêdo que é coisa da cabeça...
Quem orve a cabeça fica tonto porque é tanto pensamento que dá uma confusão lascada.
Então, orve o coração que ele fala a verdade.
Vai na luz, fio!
Pai Jacó de Aruanda
Tem um medo que é bão. É aquele que impede que nóis erra, que nós enfia a cabeça na lama. Mas, tem tanta gente que tem medo do nada, medo da cabeça, sabe? Porque a gente enfia tanta caraminhola que as minhoca fica tudo ouriçando... E nóis se boicota. Nóis trava. Mas, se a gente não tivé coragem nós não realiza nada nessa vida, nem na outra.
Como vois micê sempre diz: coragem é agí com coração.
Se a gente dá orvido as ameba, ela sai comendo tudo que é pensamento, até os bão e deixa nóis com cara de tacho e mente vazia. A gente tem que ouví o que o bubo diz. E o bubo é muito mais sábio que este preto aqui.
Não adianta se desesperá. Fica com o coração tranquilo e confia no Nosso Sinhô do Bonfim, entendeu?
Por hora eu já tô indo, mas vorto assim que vois micê precisá. E é bom que essa cambada de medroso que lê esse paper também possa sentir coragem. Porque aqui a gente vê um monte de mula que empaca por causa deste tar mêdo que é coisa da cabeça...
Quem orve a cabeça fica tonto porque é tanto pensamento que dá uma confusão lascada.
Então, orve o coração que ele fala a verdade.
Vai na luz, fio!
Pai Jacó de Aruanda
16 - VIAJANTE - THEREZA TINOCO - "SÉRIE AS 100 MELHORES CANÇÕES DO BRASIL"
Viajante é uma canção que fez show em meu peito neste último fim de semana.
Sua letra cabe bem em um contexto que vivencio. Lembrei-me dela.
A música é da carioca Thereza Tinoco e ficou célebre na voz e intrepretação do Ney Matogrosso. Parece que é de 1981, não tenho certeza. Sei que o Ney gravou um pouco depois, numa das suas melhores interpretações.
Feita por mulher, esta é uma canção masculina. Há um piano final que conclui a canção triste, mas esperançosa. Os versos são emocionantes:
"A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas que insistimos em nos defender"
Nada mais a dizer, a música já disse tudo.
http://letras.terra.com.br/ney-matogrosso/47741/
4.4.12
AS ÁGUAS DE ROGER WATERS
Juro que quando o avião de guerra se chocou contra o palco no show do Roger Waters ontem, em São Paulo, eu senti algo inédito na cabeça. Tinha sentido isso quando havia visto, pela primeira vez, o cinema em 3d com o fime "Avatar". É como se uma nova configuração mental se instalasse no meu cérebro. Estou atônito até agora.
Nem vou comentar o espetáculo do ex-integrante do Pink Floyd sob o ponto de vista político e ideológico. Aprecio o seu esquerdismo contra o capitalismo selvagem, escrito em letras garrafais de Coca-Cola. Também não quero comentar o show sob o aspecto piscológico e autobiográfico de Waters.
Excluindo as novas tecnologias de som e imagem, que nos causam perturbações e suspresas positivas... (perturbações positivas é bom...), fico muito feliz que um artista cumpra o seu legado de levar a arte ao patamar da consciência, seja ela social, ambiental, ecológica ou espiritual. O artista não tem que ser apenas um mero instrumento de deleite e passatempo. O artista é escolhido artista por Deus para influenciar as pessoas. No meu caso, prezo que estas influências sejam boas e construtivas.
Tenho certeza que Roger Waters cumpre e muito bem a sua missão no planeta!
A missão de protestar com muita qualidade de som e imagens!
Viva as águas de Roger que inundaram meus olhos ontem...
2.4.12
15 - AVESSO - JORGE VERCILO - SÉRIE "AS 100 MELHORES MÚSICAS DO BRASIL"
Sei que muita gente vai torcer o nariz pra esta indicação. Todavia, para mim, este é o maior hino Gay do Brasil, mais ainda que a música Super Homem, a canção de Gilberto Gil.
Acredito que a força desta letra e os acordes sonoros desta canção emocionam a qualquer ser, humano ou não, hetero ou homossexual. Quem repara e percebe o que a letra escancara fica sensibilizado.
Eu não sou homossexual, mas não teria problema algum em assumir se assim o fosse. Mas, jamais poderia ter deixado esta obra de fora da minha lista.
Esta música, Avesso, foi relançada em 2000, no cd "leve". Este disco foi bastante notório porque foi o disco que lançou Jorge Vercilo com apoio de Djavan na faixa "Final Feliz".
Aqui está a versão original do disco.
http://www.youtube.com/watch?v=cN-dWLUxEjw
AVESSO
Jorge Vercillo
Acredito que a força desta letra e os acordes sonoros desta canção emocionam a qualquer ser, humano ou não, hetero ou homossexual. Quem repara e percebe o que a letra escancara fica sensibilizado.
Eu não sou homossexual, mas não teria problema algum em assumir se assim o fosse. Mas, jamais poderia ter deixado esta obra de fora da minha lista.
Esta música, Avesso, foi relançada em 2000, no cd "leve". Este disco foi bastante notório porque foi o disco que lançou Jorge Vercilo com apoio de Djavan na faixa "Final Feliz".
Aqui está a versão original do disco.
http://www.youtube.com/watch?v=cN-dWLUxEjw
AVESSO
Jorge Vercillo
Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
Com dois canos pra mim apontados
Ousaria te olhar, ousaria te ver
Num insuspeitavel bar, pra decência não nos ver
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
O desejo a nos punir, só porque somos iguais
A Idade Média é aqui
Mesmo que me arranquem o sexo, minha honra, meu prazer
Te amar eu ousaria
E você, o que fará se esse orgulho nos perder?
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
O que eu sinto, meu Deus, é tão forte!
Até pode matar
O teu pai já me jurou de morte
por eu te desviar
Se os boatos criarem raízes
Ousarias me olhar, ousarias me ver
Dois meninos num vagão e o mistério do prazer
Perigoso é me amar, obscuro querer
Somos grandes para entender, mas pequenos para opinar
Se eles vão nos receber é mais fácil condenar
ou noivados pra fingir
Mesmo que chegue o momento que eu não esteja mais aqui
E meus ossos virem adubo
Você pode me encontrar no avesso de uma dor
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
http://letras.terra.com.br/jorge-vercillo/46655/
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
Com dois canos pra mim apontados
Ousaria te olhar, ousaria te ver
Num insuspeitavel bar, pra decência não nos ver
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
O desejo a nos punir, só porque somos iguais
A Idade Média é aqui
Mesmo que me arranquem o sexo, minha honra, meu prazer
Te amar eu ousaria
E você, o que fará se esse orgulho nos perder?
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
O que eu sinto, meu Deus, é tão forte!
Até pode matar
O teu pai já me jurou de morte
por eu te desviar
Se os boatos criarem raízes
Ousarias me olhar, ousarias me ver
Dois meninos num vagão e o mistério do prazer
Perigoso é me amar, obscuro querer
Somos grandes para entender, mas pequenos para opinar
Se eles vão nos receber é mais fácil condenar
ou noivados pra fingir
Mesmo que chegue o momento que eu não esteja mais aqui
E meus ossos virem adubo
Você pode me encontrar no avesso de uma dor
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
http://letras.terra.com.br/jorge-vercillo/46655/
TRECHO PASCAL DO MEU LIVRO "EU, PILATOS"
Amigos e inimigos, um trecho pascal do meu livro Eu, Pilatos.
O Pessach estava próximo. A cidade preparava-se para receber centenas de milhares de fiéis de todos os recônditos de Israel. Conforme dizia o governador, se Yerushlaim já era estreita, fétida de esgoto e de excrementos, naquela ocasião então dobrava seus odores pútridos com os sacrifícios animais e as romarias intermináveis de pó e suor. Pontius detestava tudo isso, abominava os sons dolorosos das oferendas a Deus. O praefectus engolia politicamente aquela manifestação que julgava ser “submundana”. Entretanto, naquele ano, justo naquele ano, a amarga espera estava diferente, silenciosamente diferente. A preocupação de Civílis, um dos comandados de confiança de Pilatus, era visível. Algo estaria por vir? O primipulus atreveu-se:
– O que te aflige, senhor? – indagou o centurião.
– Não sei... Mas, sinto que algo está para acontecer. Como se o silêncio estivesse me ditando algo ruidoso, violento, atentando contra a calmaria deste *Avernum. O barco de *Caronte aguarda seus passageiros. Sei lá. Uma convulsão, uma rebelião, alguma manifestação destes seres de abismos.
– Impressão, senhor! É a velha tensão da festa que se aproxima. Tudo será como antes, como sempre foi. Passarão os ritos, as solenidades, e tudo voltará à normalidade...
– Como se o normal fosse agradável... Civílis, fica de sobreaviso. Procura ficar atento para não cometer abusos, principalmente nestas ocasiões. Só aja com rudeza se não houver nenhuma outra solução, mas procura fazê-lo longe das vistas do povo.
– Conta comigo, meu senhor. Nada acontecerá sob teu comando. Repousa tranquilo, nenhum mal cairá sobre a tua cabeça. Guardaremos teus sonhos como cães fiéis que adormecem ao lado do seu dono.
– Civílis, meu nobre amigo e guardião, confio na tua lealdade e previdência. Sei que farás o possível para que nada fuja ao teu controle, onde a tua vista alcança. Todavia, meu medo é onde a tua vista não alcança, nobre rapaz.
– Terei mil olhos para ti, meu senhor. Descansa agora, tua esposa o aguarda.
Pilatus recolheu-se aos seus aposentos. A bela dama já estava adormecida. Pôde observar seu esbelto corpo deitado sob o linho cru. Todavia, no mesmo instante em que Pontius deitava sua corpulência na cama, eu, Millmann, passara dias com a velha sensação de espreita pelo ar. Uma esquizofrenia saudosa. Só que desta vez, a escuridão era uma grande aliada. É nela que costumo orar e compor este manuscrito. Algum dia será lido?
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