25.11.11

Faça-me o favor de não ser

Por gentileza, faça-me o favor de ser um pouco menos encantadora?. Aproveite também para tirar este sorriso maravilhoso da tua cara. E não se esqueça de travar um pouco esta tua simpatia, feche um pouco o teu rosto. Lembre-se que ser assim tão inesquecível só é bom para você.

Acho que você é muito linda, favor enfeiar um pouco. Tua alma é transparente, dá pra esconder um tanto mais? Deixe de surgir tão frequentemente nas lembranças do meu coração. Eu, se fosse você, seria mais antipática comigo, mais fria, mais indelicada, menos charmosa e elegante. Não é possível que você queira habitar tanto o meu coração... Pare já! Isso mesmo. Assim fica mais fácil dormir e acordar sem pensar em você.

Por favor, atenda a esse meu pedido. Misericória para com este humilde servo da tua beleza! Faça o possível para que eu não goste tanto de você, pode ser?

Obrigado

Maurício Santini

23.11.11

Do pai para o filho



Este poema foi composto em 1998.
Dedicado ao meu filho Gabriel, que hoje faz 14 anos.

 

DO PAI PARA O FILHO

 

Outro dia te vi dormindo...


E pude ver nos teus sonhos um ninho de estrêlas,

crianças do infinito,

brincando de universo!


Filho, eu posso te dar as estrêlas!

Eu vou até o espaço e as colho para ti!

E assim, vão nos seus olhos seus brilhos.


Lembro-me de quando pudestes ver a luz do sol

E apontastes para o astro como se quisesse sua luz.

Filho, eu posso buscar o sol e fazê-lo brilhar em teu peito.

Assim, quando amanhecer o dia,

os seus raios dourados iluminarão nossos caminhos.

Filho, eu quisera te dar o mundo, mas o mundo tu tens num sorriso.

E o meu coração se enche de amor como se Deus despejasse sobre mim um balde de gotas de amor!

É como se eu tivesse o milagre de embalar o meu pai em meus braços!


21.11.11

SOMBRAS DE UMA ALMA BARROCA

Eu tenho uma personalidade barroca.
Combino muito mais com as montanhas férreas das Gerais, com os pórticos de pedra-sabão, com o vapor lúdico da Maria Fumaça.
Com o lirismo poético de um Dirceu em busca de um sonho de amor com Marília.
Com a vista da sacada para a Igreja de São Francisco.
Com o pão de queijo de fim de tarde. Com o queijo meia cura do começo do dia.

Não sou afeito à fumaça que sobe apagando as estrelas.
Não gosto do estilo yuppie elitista de São Paulo, da sua vida de shoppings, das suas tardes insossas, sem praias e sem montanhas.

Sou do Ipiranga, me escondo nos jardins do Museu.

Rechaço o madamismo, a peruagem pretensiosa das paulistanas.
O ogrismo dos seus machinhos com camiseta regata.
Torço o nariz para os seus automóveis de luxo.
Dou de ombros às suas baladas energéticas, às suas madrugadas vazias e cheias de gente.
À sua arrogante liderança.

A água não tem para onde escorrer e causa cheias.
Eu não consigo ver o horizonte.
O céu está sempre cinza, mesmo no tempo bom.
E as pessoas não se encontram.

Aqui, onde eu me encontro estou perdido.

A Volta do Meu Amor por Thereza Mattos

Há alguns anos atrás, minha mãe escreveu este poema.


 A volta do meu amor
 por Thereza Mattos
Meu grande amor voltou.
Veio na brisa suave desta manhã perfumando o ar da natureza.
A paz e a luz em meu coração onde havia o amargor da incerteza...

Vou recebê-lo toda vestida de rosas multicoloridas
e de lindas pedras preciosas.
Lapidar as lágrimas cristalizadas, agora em gemas tão formosas.
Que chorei enquanto estava só nos dias, noites e madrugadas...

Nos meus lábios, um sorriso feliz.
O coração cheio de saudade.
Nos olhos, a mais pura ternura de uma imensa felicidade...

Vou cobrir nossa cama de flores, onde ele possa repousar e dormir.
 Velarei seu sonho dourado, meu amado vai sorrir, por fim.
Vendo-me feliz a seu lado e vivendo apenas para mim!

20.11.11

Gripe emocional pode trazer um amor saudável

Trata-se de uma gripe emocional, mas passa. Ela fica por um tempo, mas com o passar dos dias, melhora. Um resfriado afetivo, um vírus passional. Paixão é como estas bactérias que a gente pega e que, depois de algumas febres e noites em claro, passa.

Mas, esta ¨doença¨ pode permanecer no corpo e se tornar crônica. Para isso basta que amadureça e verta em amor. Isso é possível, isso é passível de acontecer, mas trata-se de uma doença rara: o amor chegado de uma paixão amadurecida.

Só Deus sabe e eu não sou Deus.

18.11.11

Na próxima encarnação quero nascer enguia

Esta história de ter um corpo me incomoda um pouco. Eu preferia ser uma célula, um borrão de luz, uma enguia talvez ou sei lá o quê... Corpo é pra quem é belo, lindo, jovem. Depois, vira um aglomerado cheio de desníveis. Gosto não. E olha que luto arduamente para manter este físico apresentável. Mas, quando vejo as fotos minhas, quando me vejo do lado de fora, dá vontade de chorar. Mas, que merda!

E pensar que, daqui pra frente só piora. E posso fazer 5 vezes por semana de academia que não adianta muito, depois dos 40... Só se eu comer alface com grelhado de chuchú e tomar água. Esta forma de baiacú mexe na autoestima, faz a gente perder a confiança.

Fazer o quê? Quero ser um pouco mais feliz sorvendo um vinho, degustando um queijo e me deliciando com um cheesecake na solidão.

17.11.11

Controlo duramente a minha dor, para que não a controles tu...

E Deus criou o amor não para o sofrimento. Deus criou o amor para o regozijo dos homens. Para a edificação, para o crescimento. Quando o amor se transforma em dor, ele não cumpre o seu papel. Ele passa para um terreno movediço e perigoso.

Eu renuncio a este amor arenoso. Ele pode me edificar com lágrimas, mas eu não escolho ser construído pela dor. Eu prefiro alegria, liberdade, segurança, destemor. Não quero ficar pensando nas perdas com ganhos transitórios.

Meu amor, se você estranhar a razão pela qual eu vou sumir, pense que, para me encontrar, eu precisei fugir de você.

O jardineiro - 41
Eu gostaria de falar as palavras mais profundas que tenho para ti, mas não me atrevo, porque poderias rir de mim. Então eu me rio de mim mesmo e diluo o meu segredo em brincadeiras. Caçoo da minha dor, para que não caçoes tu...

Eu gostaria de te dizer as palavras mais verdadeiras que tenho para ti; mas não me atrevo, porque poderias não me acreditar. Então eu as disfarço em mentiras, dizendo o contrário do que eu gostaria. Torno absurda a minha dor, para que não o faças tu...

Eu gostaria de usar as palavras mais preciosas que eu tenho para ti, mas não me atrevo, porque poderias me pagar com palavras de igual valor. Então eu te falo com rudeza e caçoo de ti com a minha força endurecida. Eu te maltrato, para que jamais conheças minha dor...
 
Eu gostaria e sentar ao teu lado, em silêncio, mas não me atrevo, para que o meu coração não me saia pela boca. Então eu fico tagarelando e brincando, escondendo o meu coração por trás das palavras. Controlo duramente a minha dor, para que não a controles tu...

Eu gostaria de sair do teu lado; mas não me atrevo, pois temo que assim ficarias conhecendo minha covardia. Então eu levanto a cabeça e chego distraído à tua presença. E tu, com os insistentes golpes dos teus olhos, sempre renovas a minha dor...
 
Rabindranath Tagore

Os valores que o tempo muda

Quando somos crianças, as descobertas são mais essenciais, principalmente aquelas que nós alegram. Na adolescência, os prazeres são cruciais...