Não foi tão somente a beleza negra de Leila Lopes que venceu o concurso de Miss Universo 2011. O que mais me chamou a atenção da moça foi a sua simplicidade. O seu sorriso simpático cativou a todos, mas o seu jeito simples e matreiro me encantou. Vem de Angola. Não acho que seria assim se viesse da França ou dos Estados Unidos, com todo o respeito.
Esta história de julgar a beleza dos outros não me apraz. Cada um tem um gosto, um conceito sobre beleza. Por exemplo, a segunda colocada era apenas bonita, e mais nada. Não tinha o menor tempero. A chinesa era técnica porque era modelo profissional. A brasileira contava com o apoio da torcida. Ademais, não acho que alguém deve vencer porque é a mais bonita ou elegante. Não há a mulher ou o homem mais belo do mundo. E ainda há gente esteticamente perfeita, mas com alma infeliz e feia. Além disso, a beleza física não é nenhum predicado, virtude, e sim, um mecanismo cármico que o Universo nos dá para testar o nosso egoísmo.
Mas, Leila de Angola mostrou-se simples. Intimidou-se quando ficou entre as duas mais belas. E na hora de falar foi espontânea. Isso é o que vale. Agora terá que representar a beleza com a alma. E já se mostra preocupada com relação aos portadores do HIV.
A Miss Universo deve parafrasear atitudes de mulheres como a Angelina Jolie para fazer valer o título de mulher bonita...
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