UM OCEANO DE LÁGRIMAS


Não é apenas um pequenino corpo jazido na areia, mas sim a indignidade. A falta de amor.

Uma dor lancinante percorre minhas veias espirituais, amortece meus músculos da alma, entorpece meus sentidos.

Eu só penso na compaixão de Deus e no doce olhar desta criança que, um dia, percorreu seus olhos esperançosos em busca de uma infância de alegrias. Sua terra era só pó e medo. E esta era a última tentativa de cruzar o mar para viver apenas.

Chorei decomposto ao ver essa imagem.
Eu estava lá, caído, mergulhado no chão tal qual esta criança.
E um silêncio gritante sufocou minha frase de agonia.

Vi seu pequeno sapato molhado, uma meia encharcada de lágrimas.
As perninhas soltas pela infâmia...

Estou acabado, não como este menino que, certamente vive em outras terras mais altivas.
Estou desencarnado neste momento que escrevo a minha dor.
A barca da minha tristeza afundou.

Hoje, eu acalentei bem forte a minha pequena filha.
Abracei o meu amor infantil, coloquei suas roupinhas mais secas.
Calcei as meias naqueles pezinhos que ainda não andam.
Quero vê-la crescer, por Deus!

Meu Pai, conceda-me a chance de presenciar seus andares e tropeços.
Quero enxugar suas lágrimas quando um brinquedo se quebrar.
Quero sorrir de suas aventuras pela minha sala.
Quero poder embalar suas bonecas e suas fantasias.
Quero empostar minhas mãos em sua testa e buscar transmitir para mim a sua febre.
Meu Deus, jamais deixe que ela se perca dos nossos braços e abraços!

E hoje, mais do que nunca, eu sou este menino que beija a terra, inerte, sem vida, em busca de outras terras mais felizes.
Mas, ele vive.

Deus, carrega o corpo deste menino com as Tuas pegadas na areia.
Resgata esta alma, certamente, e deixa que as ondas da esperança cubram seu rosto.
E deixe-me chorar para formar ainda mais este oceano de tristezas.



Comentários

Postagens mais visitadas