21.10.18

Dos religiosos que se omitem

É notável que alguns grandes líderes religiosos e espiritualistas, muitos não tão grandes assim, têm mantido uma postura neutra diante do momento político do país. Acho louvável que eles não estejam tomando partido.

No entanto, agora não se trata de tomar partido. Não se trata mais de política ou de partidos. Não se trata mais de direita ou esquerda. A situação verteu-se em uma luta travada entre a democracia e a ditadura.

Nem raiaram ainda os dias mais tenebrosos e já temos manifestações de violência e preconceito. As perseguições já começaram.

E qual será a postura destes "líderes espirituais" quando o dia transformar-se em noite? Cruzarão os braços para não perder fiéis? Será que desconhecem que suas atitudes também incidirão sobre os próprios karmas?

Farão como fizeram os fariseus e os saduceus do Sinédrio? Como fez parte da Igreja Católica no amanhecer do III Reich?

Exemplos temos às pencas. Inquisição, perseguições aos cristãos, bispos do fascismo, dizimação dos índios. E os "sacerdotes" se calavam...

Lavar as mãos diante das atrocidades para não perder fiéis e em nome do bem estar espiritual também é uma forma de egoísmo.

Omissão também é pecado. E isso certamente será contabilizado no Karma de vocês.

9.10.18

CRÔNICA DE UMA FAMÍLIA DESAJUSTADA NO AMOR

José Naldo tinha três filhos, uma menina e dois meninos. Era casado pela terceira vez. O primeiro a nascer foi Élio Naldo, o mais porreta e arretado de todos. O segundo foi Fernando, o mais estudioso e calado. Na terceira gestação de sua mulher veio uma menina.

Sua esposa, Márcia, era uma típica dona de casa, com afazeres domésticos diários. O menino mais velho era o orgulho macho da família. Lutava Jiu Jitsu, fazia academia, comia um monte de menininha. Já o segundo, o filho do meio, era retraído, chegava a irritar o pai. A menininha Mariana era a princesinha linda, sempre arrumadinha e de melissinha no pé.

Todos cresceram e a mulher nunca pode trabalhar fora. Tomava um antidepressivo pela manhã, e dois ansiolíticos, um à tarde, outro à noite para dormir. Era uma mulher frustrada, reprimida pelo machismo de seu esposo opressor. Infeliz e doente.

Certo dia, sua princesinha, que já contava 21 anos, depois de um ano ensaiando em apresentar seu namorado à família, teve a coragem de apresentá-lo numa tarde de domingo. Assim, Pedro Luís, um mulato que cursava o último ano de Admnistração, foi anunciado à família por Mariana. Ele entrou apenas uma vez na casa para nunca mais voltar. José Naldo proibiu o namoro dizendo que havia dado educação aos filhos e que não admitia que eles saíssem da linha. Mariana ficou inconsolável. Depois de alguns anos, Mariana foi morar em Londres para estudar e nunca mais voltar.

Já o filho mais novo, que começara a estudar Psicologia, não parava em casa. Chegava tarde da noite, muitas vezes bêbado. Numa ocasião, José Naldo teve uma surpresa quase infartante. Um amigo de longa data soube que Fernando se relacionava mais intimamente com meninos. José Naldo ficou furioso! Assim que Fernando chegou da faculdade, Josê Naldo o agrediu verbal e fisicamente, machucou bem. Proibiu o rapaz de andar com aquela turma de desviados. No entanto, Fernando não obedeceu a seu pai. Não havia outra alternativa se não colocar o moço pra fora de casa.

Élio Naldo sempre honrou o papel de macho. Puxou ao pai. Foi ser advogado.Adorava andar a 200 por hora com seu possante automóvel, agrediu namoradas uma dezena de vezes e amava caçar e pescar.

Já a esposa dedicada, dona de casa e mãe dos três filhos, era extremamente infeliz. Ela também sabia que o marido mantinha um imóvel só para levar a amante.

Naquela casa havia disciplina e ordem. Todo mundo andava nos trilhos!

Uma mãe triste, amargurada e desiludida, volta e meia doente psiquica e fisicamente. Encarcerada na redoma da infelicidade.

Um filho mais velho idiotizado, violento e preconceituoso.

Um filho mais novo, hoje homossexual assumido, mas deserdado da família.

E uma filha que havia sofrido racismo anteriormente e que, por conta deste episódio e de outros tantos, preferiu abandonar a casa.

José Naldo realmente havia colocado ordem e disciplina na casa.

Uma casa cuja família é tradicional e ordenada, alinhada aos padrões mais convencionais de moral e de bons costumes.

Uma família vazia e sem amor.

8.10.18

CARTA TRISTE CONTRA O HOLOCAUSTO BRASILEIRO

Não é mim por mim, nunca foi por mim.

Se eu apenas me sentasse no meu perfil de homem branco, europeu, heterossexual e de meia idade, eu estaria absolutamente confortável, seja lá qual fosse o resultado destas eleições para presidente.

No entanto, por pensar nas mulheres, nos negros, nos índios, nos homossexuais e nas crianças, eu perderei todo o meu tempo para lutar.

Lutar para que os negros não sejam considerados como sub-raça e que os quilombolas não sejam pesados em arrobas como bois. Lutar pelos gays e lésbicas, para que eles não sejam agredidos fisica e moralmente. Lutar pelos índios que têm muito mais direito às terras, haja vista que estavam aqui primeiro. Lutar pelas mulheres para que elas possam, de fato, ser iguais em direitos, e que não sejam encaradas como uma fraquejada do destino e nem sejam chamadas de vagabundas. Lutar pelas grávidas para que elas sejam salvaguardadas de lugares insalúbres. E, por fim, lutar pelas crianças, para que seus movimentos das mãos não sejam apontados para as armas.

Eu não luto pelos meus direitos, luto pelo direitos destas pessoas.

Um dia, a Alemanha escolheu um salvador da pátria que bradava contra a corrupção e pregava o nacionalismo autoritário. Dez anos depois, teve que se esconder como um rato dentro do seu bunker. A Itália também preferiu lançar mão do fascismo. Dez anos depois seu líder foi executado.

O que viveremos no Brasil daqui pra frente? Será que conseguiremos ir às ruas sem sermos caçados? Será que terei que queimar todas as minhas camisas vermelhas para que não sejam sujas de sangue? Será que os meus irmãos LGBTs terão que esconder suas identidades de gênero para não serem dizimados em praça pública? Será que os pais fardarão seus filhos e os pequenos brincarão de soldados para defender o país de uma ameaça comunista? Será que os índios terão que ser confinados num cubículo de terra ou se adaptarem à "civilização" vendendo balas no farol ou pedindo esmolas? Será que os negros poderão se sentar à mesma mesa dos brancos sem que seja preciso serví-los?

O Brasil agora terá a chance de viver seu holocausto.

E quem irá para a câmara de gás é o povo brasileiro.

4.10.18

Visão do Inferno

Noite de 28 de outubro, domingo, após as eleições.
A turba nazifascista sai às ruas para comemorar o resultado que colocou seu líder no mais alto posto da República. Enquanto isso, a esquerda chora e promete não dar trégua. A vida segue, e o país, dividido. Mais quatro anos de sofrimento e dor, e agora acompanhados pelo medo e pelo preconceito. Armas liberadas, perseguição.

Noite de 28 de outubro, domingo, após as eleições.
A esquerda empunha suas bandeiras vermelhas e vai às ruas comemorar o resultado que colocou o candidato do Lula no poder máximo. Enquanto isso, hordas furiosas prometem quebrar tudo e, assim, o fazem. Pessoas são agredidas e perseguidas, centenas de presos. A militância de esquerda começa a revidar. O caos é total.

Generais e togados se reúnem e decidem uma Intervenção Militar Emergencial para a garantia da lei e da ordem. O golpe militar dá seu primeiro passo.

O Congresso Nacional é fechado. E as Forças Armadas declaram, com o decreto do presidente Temer, que as eleições majoritárias estão anuladas.

Dia 1º de janeiro de 2019, ano novo, vida nova. Com o cargo de presidente vago, um militar, de alta patente, assume interinamente a presidência da República. O golpe militar foi dado.

O tempo que vai durar? Mais vinte anos?

2.10.18

A RESISTÊNCIA DA IGNORÂNCIA E O FASCISMO INTERIOR

Quando eu era adolescente, em plena década de 1980, eu frequentava um bar de esquina que vendia bolinho de ovo. Eu adorava! Lá havia sinuca, fliperama e uma turma heterogênea. Naquele bar tinha de tudo: mendigos, prostitutas, estudantes de classe média, bêbados...

Certa vez, um carroceiro com mão pesada, entre um gole e outro de cachaça, mexia com aquele que ele chamava de "viadinho pernambucano". Naquela época não existia o termo "gay", era viado ou bicha mesmo. Valdemiro era seu nome. Não tardou para que o rústico trabalhador truculento deferisse um tapa de mão aberta na cara de Miro, assim, do nada... E Miro indignado saiu chorando do bar... Eu fiquei horrorizado. Ninguém fez nada, só o dono do bar reclamou e pediu para que ele não fizesse mais isso.

Naquela época ser homossexual era uma ofensa, quantos apanharam...Eram julgados como sem vergonhas...

Em 1989 eu presenciei uma cena nojenta de racismo. Naquele tempo eu era dono de uma locadora de vídeo na Vila Monumento, em São Paulo. Eu tinha um amigo de infância, o Antonio, que veio trabalhar comigo como atendente. Numa noite, entrou um cidadão alterado e foi atendido pelo Antonio. Eu estava ao lado dele. Do nada, o sujeito invocou com a cara do meu amigo e começou a gritar: - Negro sujo, vem pra fora que eu vou matar você. Preto imundo! Berrava tanto que pensei em chamar a polícia. Confesso que fiquei com medo do cara estar armado. graças a Deus, o cão raivoso foi embora e ficamos sem ação. Anos depois, eu vi meu amigo negro curtindo a página de um político racista. Eu não entendi.

As décadas de 70, 80 e 90 eram recheadas com manifestações preconceituosas. Frases como "Nego quando não caga na entrada, caga na saída"; "Mulher no volante, perigo constante"; "Prefiro meu filho pegador do que viado", e por aí vai...

O mundo mudou (ainda bem!) e tivemos que nos adaptar à nova realidade. Antes, eu ficava chocado quando observava duas mulheres se beijando, é preciso ser honesto para confessar seus pecados. No entanto, tive que mudar meus conceitos e reverter meus preconceitos. Não, não admiro espetáculos públicos de sexo, sejam eles hetero ou homossexuais. Mas, quando vejo dois homens ou duas mulheres se beijando e entrelaçando os dedos das mãos atualmente, é uma imagem para mim absolutamente comum. Foi uma conquista, não?

No entanto, nem todo mundo rompeu com estes paradigmas e cresceu como consciência e cidadania. Boa parte do Brasil é preconceituosa. Muitas pessoas dão risada quando escutam que os quilombolas gordos pesam arrobas como se fossem bois. Muitos concordam que o filho ser homossexual é falta de porrada e que as mulheres nascem de uma fraquejada do espermatozoide. São os mesmos que estrondam "Vagabunda" pelos estádios. A mesma turma que joga banana no gramado para um jogador negro ou que xingam o goleiro de bicha quando este bate o tiro de meta.

Estas pessoas estagnaram no tempo e no espaço, não acompanharam as mudanças sociais e espirituais e o pior, não as respeitam. São a resistência da ignorância.

Estas pessoas colocarão assim um grande representante do seu fascismo interior que, nada mais é, que o espelho manchado de suas almas sombrias.

24.9.18

Nós não somos estátuas de sal


A Bíblia conta a história de Ló e de sua família que foram salvos por Deus da destruição de uma cidade inteira. Todavia, o Senhor recomendou que ninguém olhasse para trás sob a pena de ser morto.

Na rota para a fuga, a esposa de Ló não suportou a curiosidade e o apego e, disfarçadamente, colocou seus olhos para a cidade jazida. Imediatamente aquele olhar transformou a esposa de Ló numa estátua de sal...
Como na história, quando tudo desabar em sua vida e você achar um caminho para a salvação, olhar para trás seria o mesmo que virar uma estátua de sal.

Caminha para frente.

Deixa os escombros do teu passado, não os revisite, mas aprenda com eles. Olhe para dentro de si, ao invés de mirar as destruições que você mesmo ajudou a criar.

Desapegue-se dos tijolos que voam, dos telhados que desabam, das paredes que ruem. Deixe que o Criador faça Sua parte na reconstrução da tua vida.

Reconstrua-te a cada instante.

Tudo pode abalar, menos o teu coração.

Tudo pode ruir, menos a tua alma.

Erija a tua vida com as pedras preciosas do teu próprio amor.

Tua vida recomeça em cada momento de destruições.

Segue em frente, enfrente e seja uma fortaleza de amor e fé. Nunca uma estátua de sal.

21.9.18

O MAYA DA MERITOCRACIA E DA OSTENTAÇÃO


O Brasil foi educado a pensar como elite. Sempre foi assim. O pensamento neoliberal da "meritocracia" escancarou uma mentira: você vai ficar "bem de vida" se trabalhar com dedicação e afinco e servir ao seu patrão incondicionalmente. Assim você chegará lá! Ledo engano. Qual o percentual de trabalhadores e profissionais que deram seu sangue e seu alma em prol de um empreendimento ou de um negócio e ficaram ricos? Diga-me com sinceridade.

É certo que o trabalho enobrece o homem, dignifica. Mas, o mercado devorador de energia promete que se você roer o osso, no futuro você comerá a carne. Até hoje eu espero meu filé...

Outro pormenor que não pode passar despercebido é sobre a famigerada meritocracia. Quem têm méritos? Apenas os que possuem qualificação superior e vocação para capachos? Não teria méritos a faxineira que limpa o escritório para você trabalhar sem baratas? Será que um carteiro que trabalha 12 horas por dia, sol a sol, caminhando com um andarilho no deserto, não teria méritos?

Todos os trabalhadores têm méritos, todos têm importância dentro de um contexto social. Se a faxineira não limpar a sala, os ratos tomarão conta, as doenças se proliferarão. Se um carteiro não entregar as cartas você não receberá suas encomendas, não pagará seus boletos.

O cidadão cresce com a ideia que ostentação aquilata respeito. Assim, o motoboy gasta 50% do seu salário em um tênis garboso e importado, paga 24 prestações para exibir seu iPhone de ponta e faz crediário para adquirir uma TV 200 polegadas 4K. Trata-se de um cidadão exibiciniosta, iludido por ganhar respeito em seu meio. E esta será seu fim. Ele quer ser igual ao afetado dos Jardins. Quanta ilusão, ele continuará a ser pobre e ser visto como pobre.

Isso não significa que as pessoas não devem buscar o melhor, claro que não! Mas, chegar à condição de semi miserável com o mote de elevar a autoestima e obter vanglórias é no mínimo um pensamento pequeno e presunçoso.

O abastado passa com seu carrão, e eu não estou nem aí. O empinado usa Lacoste, eu nem chego a notar o jacarezinho. O metidinho à besta tem um iPhone 3000 e eu nem olho pra sua mão. Eu simplesmente não dou valor algum para o que as pessoas exibem. Eu reconheço o que elas têm por dentro, e não por fora.

A riqueza, o endinheiramento, o poder podem ser grandes armadilhas cármicas. A pobreza também.



19.9.18

FOI LINDO VER FERNANDA CHORAR

Foi lindo ver Fernanda chorar. Eram lágrimas francas, de quem coloca o coração na ponta das atitudes. Não basta ser estrela, tem que brilhar. E quem pode negar que Fernanda é a mais brilhante das estrelas.

Fernanda subiu as escadas do palco do teatro e foi ao encontro do menino, daquele menino que ela embalou em seus braços em Central do Brasil. O menino cresceu e Fernanda espantou-se: - ele já tem barba!

Contou a história de Vinícius Oliveira, o engraxate que ganhou o papel e delegou a ele a importância do filme. Gente grande faz assim, reconhece o valor das pessoas.

Fernanda Montenegro é o ápice de uma montanha de luz.

Ela pode representar a bondosa e a megera, mas todos conhecem o seu talento e, principalmente, seu amor ao próximo.

14.9.18

A ESPIRITUALIDADE E OS "FALSOS PROFETAS" QUE PEDEM VOTOS

A espiritualidade assiste atônita, no entanto serena, ao verdadeiro embate ideológico e "mahabarático" que se tornou a humanidade brasileira com relação à política.

Não é raro assistir a "guias espiritualistas encarnados" pregando amor e compaixão em centros espíritas em um dia na semana e, no outro, convocando almas indecisas a votarem em candidatos que pregam ideais escusos e perniciosos. Isso me recorda uma velha imagem de alguns monges budistas, que entoaram o mantra OM MANI PADME HUM e, no mesmo dia, sapecaram o porrete em desafetos pelas ruas.

Não é incomum também presenciar espíritas de carteirinha, que promovem o Evangelho no Lar e impõem sua mão esquerda no passe magnético, enquanto a direita enfia a raquetada na cara de quem não vibra de acordo com as suas ideias. Muitas mulheres espíritas também fazem campanha para políticos misóginos. Muitos irmãos espíritas gays são homofóbicos.

Assim também, umbandistas desavisados, pseudo patrocinados por falsos caboclos, propagam a intolerância e o preconceito. Uns falam de perdão e caridade, mas realizam odiosos trabalhos invocando entidades de nível espiritual sombrio para "amarrar alguém" ou promover vinganças. Estes são os primeiros a defender os valores irreais da família, aquela onde o macho branco dá as ordens, é pudico e tradicional, mas mantém amantes e frequenta puteiros luxuosos. Os tais "pais de santo" reforçam o voto a candidatos racistas, como se a fé deles não tivesse sido semeada na África.

Muitos católicos bradam pelos valores crísticos, sem se darem conta que, em nome de Cristo, foram assassinadas centenas de milhares de pessoas. Protestantes se irmanam em Jesus, em nome do poder e da glória do Senhor, mas incendeiam templos de outras religiões, chutam santos e convocam seus fiéis a votarem em candidatos que pertencem ao seus clubes de fé, mesmo sabendo que são preconceituosos e intolerantes. Hipócritas!

Tudo isso para dizer que a espiritualidade não é partidária, não vota em determinado postulante. Nunca, em hipótese alguma, aponta quem é o melhor e mais preparado, mesmo porque sabe que o nível consciencial da humanidade está abaixo da mediocridade.

A espiritualidade não é de esquerda e nem de direita, é do alto. E, justamente por estar no andar de cima, enxerga as coisas de maneira holística. Todavia, rechaça doutrinas sectárias, hostis e preconceituosas, além de pessoas que propagam a violência e que utilizam valores irreais calcados na família e no Cristo como bandeiras da paz e da moralidade.




13.9.18

CONSELHOS DE UM ET DOS ANOS 80 PARA QUEM TEM CRISES DE PÂNICO

Quando eu tive Síndrome do Pânico, nos anos 1980, quase ninguém conhecia o mal. Sentia-me como um extraterrestre tendo alguma síncope venusiana. Seria loucura? Estava próximo o meu final? Cheguei a ter crises de pânico na praia! Depois de muitas psicoterapias, além de psicotrópicos diversos em medicamentos que "seguraram" a agonia, comecei a ter melhoras substanciais com o tempo.

No entanto, é preciso relatar que a espiritualidade me auxiliou e muito na retomada de mim mesmo. Além dos passes magnéticos e tratamentos em centros espíritas e de umbanda, a meditação, a musicoterapia, as massagens relaxantes e uma boa dose de leitura de obras de cunho espiritual tiveram um papel protagonista para o meu reequilíbrio.

O autocontrole é essencial para mitigar os efeitos do Pânico. Eu usava a afirmação de que nada daquilo que eu estava sentindo era, de fato, real. Mesmo que o físico apontasse sudorese (suor), que o coração acelerasse a mil, que a vertigem quase me fizesse cair, eu afirmava categoricamente para mim mesmo e para a minha sensação de morte: - isso aqui que você sentindo é uma ilusão, você não vai morrer disso, fique calmo, nada de mal vai te acontecer.

E assim, aos trancos e barrancos eu conseguia me convencer.

Então, se de alguma forma, a minha experiência ao inferno pode ajudar a alguém a sair desta jornada íntima ao umbral, aqui vão algumas dicas:

- Procure a ajuda de um psicólogo, mas não se esqueça que você precisa apagar o incêndio com medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos. Florais e remédios naturais também podem ajudar. Não seja tola ou preconceituosa. Você precisa nesse momento;

-Massagens terapeuticas, além de acupuntura, podem ajudar a relaxar o corpo, mas as meditações, sejam elas transcedentais ou guiadas, além dos exercícios de relaxamento mental com uma trilha sonora serena, ajudam a acalmar a mente;

- A mente mente. Então, afirme para ela: - fique quieta, nada disso que você me apresenta é real;

- Coloque na sua cabeça: você não vai morrer numa crise de pânico. Então, já que nada vai acontecer mesmo, procure se tranquilizar, vá fazer alguma coisa para distrair seu pensamento inquieto;

- Ore muito. Busque conteúdos espirituais. Se não conseguir ler, procure escutar palavras altivas e otimistas. Na internet você acha arquivos sonoros bem elevados e interessantes;

- Fuja das atrações e das pessoas que te levam mais para baixo;

- Sexo faz muito bem, mas procure uma parceria que não te traga mais problemas energéticos. Se tiver este parceiro, ótimo. Se não tiver, tudo bem, a hora vai chegar. Enquanto isso, procure sublimar pela arte, pela cultura e pela literatura que te preenchem;

-Saia do lugar, mesmo com um pouco de sacrifício. Se puder, viaje, passeie, no seu tempo, respeitando seus limites. Mas, não faça disso uma obrigação;

-Não fique sem comer. Procure um alimento que você adora ou que caia muito bem naquele momento. Se for chocolate, viva! Delicie-se. O importante é ter o prazer de salivar;

-O amor transforma. Fique perto de quem você ama. Seu par, sua família, seus amigos, seus bichos, suas plantas. Isso confere forças triplicadas para prosseguir.

E saiba, você não é a única que sofre disso, grande parte da humanidade passa por estes momentos. Diferente de mim, que me sentia um extraterrestre moribundo nos anos 80.



12.9.18

O QUE SITA E RAMA FAZEM COM A TUA TRISTEZA


E nesse mar de tristezas que te banha, onde as amarguras te visitam, onde as lágrimas fazem abrigo em teu peito, clama por Sita, chama por Rama, assim, do nada...

De repente, uma fenda abre-se na terra e jorra contentamento. Vem, como num lampejo, uma coragem beatífica, assim um tanto contemplativa. Toda a dor verte-se em sublime felicidade, assim, do nada, como gratidão pela eterna vida.

E assim, do nada, vem o Tudo e o Todo, de braços dados com Rama e Sita.

Rama te resgata da melancolia, Sita te acolhe.

Quando estiveres atolada em delalento, lembra, assim, do nada, o casal da divina contemplação de Sita e Rama.

Confia! Eles virão, assim, do nada, para trazer todo júbilo e alegria.

11.9.18

NA CAVERNA DO MEU CORAÇÃO


Subi as escadas de pedra, percorri as ladeiras intumescidas de barro, entornei curvas, mas não te encontrei.

Lavei meu rosto com as gotas de chuva, parei no acostamento de mim mesmo, sorvi água das folhas, mas não te encontrei.

A subida do Himalaya é tão íngreme... Flocos de neve e raios de sol caiam do céu ao mesmo tempo. Enfrentei intempéries, mas não te encontrei.

Voltei abatido para o andar térreo da Índia, desanimado, taciturno.

Quando uma voz macia sussurou cá dentro de mim...

- Descansa teus passos. Tu só encontrarás o Cristo Iogue, Babaji, na caverna do teu coração.

24.8.18

RÁDIO CONSCIÊNCIA

Prezados leitores

Os programas do meu Podcast podem ser ouvidos neste blog. Basta acessar no botão com 3 traços no alto da página. Todos os programas estão lá!

16.5.18

AS RELIGIÕES E A PEQUENEZ DOS ESCAMBOS ABOMINÁVEIS

Os povos pré-colombianos que habitavam as Américas, entre incas, maias, astecas e toltecas (entre outros), promoviam uma série de ritos sacrificiais humanos e animais. Crianças e adolescentes eram obrigados a morrer (e ficavam honrados ou não...) para "agradar" aos deuses e conseguir graças.

Os gregos também promoviam estes rituais macabros. Já os judeus fomentavam assassinatos de animais em massa como oferendas ao "Deus" único aos pés do Templo de Salomão.

No candomblé, esta prática de oferendas que minam vidas para mimar orixás ainda está presente. Na religião de matriz africana, a modalidade conta com um álibi (?) de aproveitar a carne para servi-la como alimento, numa espécie de churrascaria pós-cerimônia (aliás, energeticamente isso também é indevido, já que o corpo está sendo utilizado para determinada finalidade magística).

Que espécie de divindade pede o assassínio de algum ser vivo para seu deleite? Se um orixá é uma emanação da natureza, qual manifestação natural solicita a extinção de uma irmã de criação em benefício próprio?

Na série Troia, Agamenon mata sua própria filha para conseguir acalmar as tempestades do mar a pedido de uma deusa. Logicamente, você rechaçaria esta atitude, não? Daqui a centenas de anos (ou até quem sabe, dezenas...), os espiritualistas farão um exame de consciência, um mea culpa, por terem defendido ou se omitido com relação à ritualização macabra da aniquilação animal para agradar deuses, espíritos ou orixás.

Medieval, inadequada, fora do contexto.

Não se trata de desrespeito às religiões e sim, à estas práticas nefandas e odiosas que eliminam vidas para oferendar, presentear ou auferir benefícios ou malefícios próprios ou a outrem.

O corpo humano ainda pode precisar da carne para se alimentar. A alma, nunca. Além disso, toda e qualquer atividade que promova uma permuta ou uma troca com o Divino, não é religião, é comércio espiritual.

27.4.18

A ÚLTIMA FOTO DE ISTVAN


Assombra-me fitar para a imagem que guarda a inocência deste menino. 

Faz-me lembrar da história de "A vida é bela", de Roberto Bernigni, porém com um fim bem mais trágico, o que reforça a ideia de que a realidade pode ser bem mais cruel do que a arte. 

Há quem proteja esta atrocidade, sem qualquer resquício de compaixão. Uma "ideologia" que aniquila um sorriso como este só pode ter vindo de mentes doentias. 

Há quem defenda a volta deste inferno. 

Esta é a última foto do pequeno judeu Istvan Reiner, momentos antes de ser executado junto com o seu avô em Auschwitz, na Polônia, em 1943.


26.4.18

O ANDARILHO DAS SOMBRAS E O ASCETA DA LUZ


Certa vez, um andarilho, que caminhava na floresta de Madhira, encontrou um sadhu meditando em padmasana (posição de lótus). O peregrino se chamava Bhakta. Ao avistar o asceta, o romeiro posou ao seu lado e esperou que o iogue despertasse.

Algum tempo depois, quando o vento uivava as folhas secas, o homem sábio saiu de sua jornada espiritual e observou um estranho ao seu lado.

- Contemplas as flores ou o homem? - inquiriu.

-Observo a manifestação divina em ti, meu senhor. - respondeu.

- E por que não o fazes consigo mesmo? - perguntou o sadhu.

- Quem sou eu? Olho para dentro de mim e só vejo escuridão! - disse o caminhante.

Neste instante, o guru pediu para que o rapaz fechasse os olhos.

- O que vês? - indagou

- Nada. Sombras. Penumbras. - afirmou.

- Sim. Mantenha os olhos fechados. Agora, entorna tua cabeça para o alto. - pediu o erudito.

E assim, o viajante voltou sua face ao céu.

- Agora, abra os olhos, o que vês? - questionou o velho homem.

-Um céu azul, o sol a brilhar...

E o asceta então continuou.

- Somos perfeitamente isso, uma mescla de luz e de sombras. A penumbra e o céu azul. O sol e a escuridão. O universo forrado de estrelas e de vazios. Somos nós que escolhemos a visão que mais nos agrada, que mais nos auto-realiza. Se cerrarmos os olhos da consciência ou se abrimos as janelas do despertar. Por isso, guarda bem estas palavras. Não jugueis as sombras dos outros. Como pode um cego guiar outro cego? Toda vez que apontamos um dedo ao nosso semelhante, três dedos são apontados para nós. Levanta e segue tua estrada, ilumine-a com tua lâmpada interior.

E o caminheiro ergueu-se, juntou suas mãos à frente do peito e agradeceu o ensinamento. A partir daquele instante jamais acusaria alguém que cruzasse seu caminho.



23.4.18

Extermínio às diferenças

Adolf Hitler era contra o capitalismo e achava que os judeus eram os culpados pelo "sistema".

No entanto, também era opositor ao comunismo marxista e promoveu uma verdadeira perseguição aos grupos chamados de esquerda.

O führer era de um partido que tinha a palavra "Trabalhadores" no nome.

Muitas pessoas, principalmente as menos esclarecidas, apoiavam o líder, afinal ele salvara a Alemanha da fome e da miséria, além de conclamar a raça germâmica a elevar sua auto-estima.

A diferença é que, enquanto o comunismo (hoje, o progressismo) pensava no bem estar social e nos anseios das classes menos favorecidas com um Estado forte e mantenedor, o nazismo, assim como o fascismo, pensava na Soberania Totalitária do Estado e na obediência civil. Se for obediente e disciplinado (e óbvio, da nossa superior raça branca...), é claro, o Estado vai te dar tudo... Se for preto, homossexual, cigano, comunista, judeu ou qualquer outra subraça, a gente extermina.

Ainda é assim. E ainda pode voltar.

18.4.18

FANATISMO RELIGIOSO E POLÍTICO MATARAM MAHATMA GANDHI

Retornei à carne da Terra no dia 15 de agosto. Curiosamente, este dia e mês marcam a data da Independência da Índia, em 1947.

Com a memória da libertação do povo indiano, não podia deixar de lembrar dessa Grande Alma, Mahatma Gandhi, homem que havia atravessado duas guerras mundiais (1869/1948). Na última guerra, o líder aconselhou os aliados a usarem seu método "satyagraha", em protestos sem violência, para combater o eixo sombrio entre Alemanha, Itália e Japão (não estou dizendo que os Estados Unidos sejam a expressão máxima da Luz, muito pelo contrário...).

Gandhi tinha como um dos seus ídolos, o escritor russo Leon Tolstoi, e encontrou-se, em vida, com o guru Paramahansa Yogananda (encontro descrito em Autobiografia de um Iogue). O líder indiano pregava a paz entre os hindus e os muçulmanos. Fez greve de fome, foi preso algumas vezes e inspirou ativistas como Nelson Mandela e Martin Luther King (que também foram presos).

Utilizava-se do preceito de não violência (ahimsa) como forma de argumentar e dissipar conflitos. Não foram poucas as vezes que Mohandas (seu nome de batismo) deu provas de humildade e de servidão.

Mesmo com toda a paz que reinava em seus passos, com todo o amor desprendido do seu coração aos povos da Terra, e da sua inteligência untada à alma iluminada, Mahatma Gandhi foi assassinado por um fanático religioso por questões políticas em 1948. Antes de morrer, Mohandas fez um pedido inusitado: que não punissem seu algoz. Não foi atendido, o assassino morreu enforcado.

Este dueto "fanatismo religioso e facciosismo político", na maioria das vezes, é capaz de explodir a paz e detonar a bomba do ódio entre as pessoas.

Outro pormenor importante a ser destacado: uma prisão ou uma condenação de um homem pela justiça terrena, muitas vezes, não encontram respaldo e não estão ancoradas nos tribunais da justiça divina.

Julgar e condenar o próximo promove uma justiça cármica a si mesmo. Um efeito bumerangue.

Meditem.




14.4.18

Aviso aos invasores

Prezados amigos e leitores do meu blog

Meu blog está sendo invadido por elementos inescrupulosos, cuja única missão é difundir informações errôneas e desvirtuadas. São comentários ofensivos e preconceituosos, com o objetivo de desestimular a redação de textos espiritualistas e pacíficos.

A ideologia deles está calcada no ódio de classes, no alastramento das sombras e na difusão do discurso nazifascista.

Pois bem, quero informar que antes eu lia as ameaças, mas agora não me dou nem ao trabalho de ler ou responder. Na verdade, leio apenas a primeira linha e depois jogo no lixo, que é o lugar devido.

Quero dizer que providências já estão sendo tomadas junto ás autoridades responsáveis pela delegacia de crimes pela internet.

Gratidão

10.4.18

DESENHO DIDÁTICO SOBRE O QUE É FASCISMO



Ao perceber uma enorme confusão sobre as formas de governo nas discussões acaloradas entre a direita (liberal, neoliberal) e a esquerda (progressista), resolvi agora desenhar de um modo bem didático.

O fascismo nasceu na Itália no início do século XX. Trata-se de uma ideologia que confere autoridade máxima nacionalista. Os fascistas são radicais e procuram untar a nação a um Estado Totalitário, forte, absolutamente contrário e vigilante aos preceitos do marxismo, comunismo e socialismo.

Essa veneração ao Estado presta devoção a um líder ultranacionalista, etnocêntrico (que defende apenas uma raça que julga superior e subjulga as outras) e militarista. O fascismo é o primo/irmão do nazismo.

Defende uma economia autossuficiente e intervencionista (assim como o marxismo, por isso a confusão...), mas, ao contrário do comunismo, prega a privatização e o protecionismo aos grandes grupos econômicos.

Sim, o fascismo teve influência dos sindicatos e dos elementos políticos de esquerda, mas com adaptações às políticas de direita. É totalmente opositor ao socialismo, ao comunismo e à democracia.

Bento Mussolini, o grande expoente do fascismo, afirmou em “A Doutrina do Fascismo” que o fascismo era uma ideologia de direita.

Não é direita apenas, é ultra, hiper, mega direita. 



9.4.18

Do espancamento na Via Dolorosa à religião oficial de Roma, o mundo dá voltas...


Era tarde na Via Dolorosa. A turba enfurecida, ao ver passar aquele homem do norte da Galileia, representante da sub-raça de Israel, xingava e agredia o tal Messias. O sangue espirrava de sua pele lacerada, e o povaréu espumava de ódio. Ao chegar no Gólgota, só a família e os amigos puderam acompanhar os momentos finais.

Para a esmagadora maioria do populacho presente na ocasião, aquele homem configurava-se em um bandido extremista, um homem perigoso, capaz de abalar o sistema já tão combalido.

Joshua, para eles, era um terrorista. Como foi capaz de agir com violência contra os vendilhões do Templo? Como foi capaz de curar os gentios? Como não guardava o sabbath? Ademais, tratava-se de um líder dos excomugados, dos párias e excluídos, da gentalha da Galileia, essa gente diferenciada...

Depois do assassinato do Rabi, adeptos e devotos de seus ensinamentos foram perseguidos por muito e muito tempo... Verdadeiros massacres e chacinas foram promovidas pelos judeus e por Roma. Até que um dia, percebendo que o Império Romano iria afundar na lama de sua pretopetência, o Imperador Constantino resolveu transformar o Cristianismo como a religião oficial romana. Ironia?

Qual o motivo pelo qual escrevo este ensinamento? Simples. Para relembrar, aos mais ávidos e borbulhantes de ódio político que, transformar uma pessoa ou uma ideia em um bode expiatório espancável, malhar injustamente um Judas e eleger um alvo para atirar pedras como fizeram com a Geni do Chico Buarque, não representa uma atitude inteligente, muito menos compassiva e "cristã". 

Então, atenta a este conselho: caso não goste de alguém, expresse sua opinião, porém com respeito ao outro! Jamais vomite sua bílis em cima de um desafeto. Se acredita que está com a razão, não perca a razão. O visco do ódio, a baba do rancor e a gosma do destempero não contaminam apenas aos outros, mas servem de veneno ao próprio autor. Mesmo porquê, daqui alguns anos, é possível que a pessoa mude de opinião. O mundo dá voltas.

Então, não se envergonhe diante de si mesmo e respeite o próximo. 



4.4.18

LUZ E SILÊNCIO, AÇÃO PELA NÃO AÇÃO

Jamais combatemos sombras com mais sombras. Escuridão se combate com Luz. Gritos são contestados com silêncio.

Muitas vezes, os devotos espiritualistas, ou até mesmo religiosos de todas as ordens, têm vontade de sentar o pé nas barracas dos vendilhões do templo, assim como fez Jesus de Nazaré. Mas, se este ímpeto persistir, lembre-se que esta atitude do Rabi foi premeditada e configurou-se como a gota dágua para a prisão e condenação do Mestre.

Como reagir ao assédio (encarnado e desencarnado)? Em todos os manuais e preceitos espirituais, obsessão se objeta com argumentos, luz e equilíbrio. Quais são as armas dos assediadores? Eles afiam suas lâminas calcadas no medo, na raiva, na destemperança, na ameaça.

Se os que representam o bom senso e a luz revidarem na mesma moeda, qual será o resultado do confronto? Se um elemento xinga, esbraveja, bufa, espuma, o que devemos fazer? Abrir nosso peito ao ataque? Repetir o gesto do inimigo? Você consegue visualizar um amparador ou um mentor batendo boca com um obsessor?

Isso não quer dizer que devemos ficar bovinamente impassíveis diante dos embates. Mas, quando um cego não quer enxergar, não adianta jogar luz. Quando um surdo não quer ouvir, música alguma será escutada. E quando a mente está embotada e fechada para o diálogo, qualquer argumento será vazio. Este é mote da parábola crística das pérolas aos porcos. Os ensinamentos se perderão na lama da ignorância.

Sejamos o Wu Wei dos taoístas, Luz e Silêncio, Ação pela Não Ação.

Sejamos o Ahimsa do Mahatma, Não Violência aos violentos.

Sejamos a lótus de Gautama: se a corda for esticada demais, ela arrebenta; se for afrouxada demais, ela não toca! Vamos afinar as cordas da nossa vida pelo Equilíbrio.

3.4.18

QUANDO UMA XÍCARA DE CHÁ SE PARTE

A asa da xícara de chá de porcelana se quebrou... Temos duas alternativas: colamos ou deixamos o utensílio sem asa. No entanto, jamais devemos jogar a peça quebrada no lixo!

A humanidade tem um hábito errôneo de achar que o que está quebrado não serve mais. No caso da xícara de chá, mesmo sem a asa, ela continuará recebendo o líquido, porém é preciso readaptar a forma de segurá-la.

Esta singela xícara de chá representa muito. A quebra repentina de sua asa significa que ela foi útil, trabalhou com esmero e conta com uma história importante em sua sala de jantar.

Estes cacos, rachaduras, avarias, representam suas memórias intactas, seus fracassos que vertem-se em experiências sábias, sua história de vida.

Uma jornada sem danos, estragos, perdas, partidas, defeitos e feridas caracteriza uma vida em vão, insossa, sem derrotas, sem crescimento. 

Guardar o objeto lesado demonstra que valorizamos o caminho percorrido, que nos compadecemos dos tropeços e perdoamos as imperfeições, as nossas e as das outras pessoas.

Este é um ensinamento chinês de profunda sabedoria. Reveja seu armário de louças e guarde os pedaços mais preciosos.

O que hoje você chama de lixo quebrado e improfícuo, pode se tornar uma joia muito prestadia e valiosa.


29.3.18

JUDAS ISCARIOTES SOMOS NÓS! O MEDO DA FALTA DA FIANÇA DE DEUS

Páscoa, Pessach... E me lembro dos instantes finais que precederam à Santa Ceia. Abaixo, um trecho do meu primeiro livro "Eu, Pilatos". Justiça à Judas: 


E o Rebbe disse:
- O que fazes, faze-o depressa! Faze o que tens que fazer!

Por acaso essa frase não soa como um comando? Como uma ordem a ser cumprida? Yehoûdâh não se conformava com o fato de ser instrumento de uma profecia. Lembrava a todo instante da conversa mais amarga que havia tido com o Rabi sobre a importância do seu papel na história da humanidade. O discípulo tinha a sofrível incumbência de procurar o Sinédrio para promover um encontro entre Yeshua e o *Cohen Gadiol. Sabia que os sacerdotes do colegiado judeu estavam ávidos por interrogar a Yeshua. Todavia, tinha plena convicção que os festejos do Pessach, o espírito da fraternidade, além da proibição de qualquer açoite ou morte de um judeu nas festividades, afastariam a hipótese de uma condenação do seu Mestre. Yehoûdâh contava também com os poderes sobrenaturais de Yeshua, que haveria de mostrar quem era o verdadeiro rei dos judeus. Deu no que deu... O Sinédrio, extremamente ofendido pelas práticas antijudaicas daquele nazareno e pelos últimos acontecimentos em Yerushlaim, resolveu entregar aos romanos, sem julgamentos, o local onde o grupo se encontrava.
A predisposição em condenar por sedição era um prato combinado previamente. E foi o que aconteceu, Yeshua foi entregue finalmente às mãos de Pontius Pilatus. Yehoûdâh se sentia como um fantoche e morria aos poucos, muito mais aos poucos do que Yeshua pregado no patimbulum. As divagações eram como agulhas a picar seu cérebro. Por que havia sido escolhido para uma tarefa tão árdua e inútil. Qual a meta de se entregar ao Golgotáh, com nuvens ameaçadoras que encobriam os céus azuis? Por que fazer com que os anjos derramassem suas lágrimas? Qual era o objetivo? Quem Yeshua libertaria com isso?

Yehoûdâh mergulhava na mais profunda tristeza e arrependimento de algo que jamais tinha intenção de fazer. Jogava para cima de suas costas, toneladas e toneladas de uma amargura corrosiva. A sombra era mediúnica. Uma legião sombria tomava posse dos seus pensamentos. Terá sido o Rabi, um impostor? Será que todo o tempo empreendido em sua companhia teria sido em vão? O manto negro cobria ainda mais sua cabeça. Por que prosseguir vivendo se a vida era um cárcere de ilusões e sofrimentos? Onde está Ab-bã que patrocina a luxúria e a ostentação? Que Ab-bã é esse que tanto incentiva a infâmia e a arrogância? É o mesmo Ab-bã sem força, sem poder, que prega a injustiça por meio do açoite aos fracos? É o mesmo Ab-bã que o Mestre invoca nas noites de luar, ao relento, sob o brilho teimoso das estrelas e que o céu cisma em mostrar a escuridão? O peito lhe doía muito. Estava sufocado pelo negrume das suas ideias como se Deus fosse o único culpado. Yehoûdâh continuava ali, prostrado, ruminando seu desespero. Eu podia ver, por intermédio da clarividência, um enxame de vampiros a sugar sua energia vital. Formavam uma cúpula vermelha ao redor do discípulo. Era como um batalhão de sanguessugas, de canibais sorvendo a carniça. Muitos sorriam sarcasticamente e emitiam urros de pavor e deleite. Um cheiro azedo tomava o ar. A energia de Yehoûdâh esvaía-se a cada minuto. Eu assistia ao espetáculo dantesco. Tinha vontade de vomitar por todos os poros. Os olhos das criaturas pingavam sangue. Seus dentes afiados voavam no pescoço do pobre apóstolo e sugavam o resto de suas forças. Uma ideia fixa de morte tomava de assalto seu pensamento como uma porta que teima em bater com o vento. Yehoûdâh levantou-se decidido de sua meditação gris, à sombra daquela árvore de maus frutos. Iniciou uma caminhada lenta e absorta pelo pesar. Era como um ritual fúnebre, onde um séquito de fantasmas carnívoros aguardava o desenlace final. O saco de couro com as moedas que arrecadava para o grupo messiânico estava preso ao seu corpo. Seguiu para um penhasco. Era como um réu conduzido por mãos invisíveis que bradavam seus gritos infernais. Suas pupilas estavam fora de órbita, seu universo em desencanto. Lembrou-se das moedas e retirou-as da cintura e bradou em voz alta: - fica com o que é teu!

Atirou o saco de metais ao abismo, com fúria, com nojo de tudo que era mundano. Tomou fôlego, fechou os olhos e mergulhou seu corpo para a morte. Durante a queda chorou uma única lágrima de arrependimento quando se lembrou da imagem do seu Mestre. Desferiu um grito ensurdecedor antes de bater mortalmente a cabeça na pedra: - Salva-me! Salva-me! Sal...

O corpo jazia na terra, mas Yehoûdâh tinha a sensação de que continuava caindo, caindo...
Yeshua escutou sua dor. O discípulo perdeu a consciência. Tempos depois, Yehoûdâh recobrou o resto de sua lucidez e sentiu-se reconfortado. O chão duro e a poeira do deserto davam lugar ao colo mais cândido de um pai. Rebe Yeshua acariciava seus cabelos e confortava seu espírito. Yehoûdâh mal podia entender, mas dormia tranquilo agora, como uma criança, um menino socorrido por seu pai. Yeshua entregava seu filho às mãos dos anjos. A legião de vampiros debandara aflita embrenhando-se nas fendas das pedras com medo da luz.

Essa visão final me saltou um questionamento: Yehoûdâh somos nós! As nossas amarguras,
o nosso derrotismo, a nossa insegurança. O medo de não termos a fiança de Deus. A nossa sabotagem, a autoobsessão, as culpas que derretem o nosso cérebro e nos causam doenças, males, distúrbios. Yehoûdâh é a traição contra a nossa própria essência. São as bactérias que se infiltram em nossas entranhas e devoram os nossos sonhos de bem-aventurança.
Yehoûdâh jamais foi culpado por qualquer ato, jamais foi artífice de qualquer crime contra a humanidade. Nunca foi algoz de nada. Ele apenas esteve no momento certo para servir a Algo maior que nunca compreendera. Nem tampouco, o povo judeu pode ser culpado pelos desmandos, pelos melindres e pelas sandices de um colégio de sacerdotes corruptos. Assim, a história romana atribuiu a morte de Yeshua a um povo mercantilista que se vendia por moedas de prata, enquanto que um romano lavara suas mãos do sangue de um justo. Yehoûdâh se sacrificou para cumprir o que estava escrito pelas mãos do Grande Profeta. Yehoûdâh foi divino por fazer a parte mais podre, limpar e arar a terra. Minha visão foi interrompida por um beijo. O beijo de boa noite do meu pai. Ou será o beijo sutil de gratidão de Yehoûdâh? Um beijo verdadeiro.
* Arquivo Akáshico – uma espécie de subconsciente do Planeta onde ficam reservadas as memórias dos acontecimentos.
*Zelota – movimento político subversivo contra os invasores de Jerusalém;
*Moshe – Moisés;
*Cohen Gadiol- Sumo Sacerdote do Sinédrio

21.3.18

EGO-ARTISTA: O SUCESSO É TRANSITÓRIO!

Olá você, ARTISTA, que já fez algum sucesso, algum dia e que pensa que ainda faz... E mesmo que faça um pouco... ou até muito!
Sua vaidade e seu eu inferior (EGÃO) acabam perdendo oportunidades de otimizar sua alma tão pequena...
Ei você, que vive do passado, de um público que ainda te aplaude. MENOS, MUITO MENOS, QUASE NADA...
Sabe por que? Porque daqui a pouco você vai perder seus dedos, sua voz, seus olhos físicos para a terra ou para o fogo.
E quando chegar no plano astral médio, bem médio, você vai querer ser recebido onde? No Madison Square Garden? Você acha que vai pro palco? Ou será tratado como a Dona Maria das Couves que morreu de derrame?
Dedico estas bem traçadas linhas para diversos artistas e celebridades que "se acham", mas que estão perdidos...

20.3.18

JESUS E RAMAKRISHNA REPELIAM A CONTAMINAÇÃO DA RIQUEZA MATERIAL



Dois grandes vultos da humanidade espiritualizada, Jesus de Nazaré e Ramakrishna, tratavam a riqueza material e acumulativa como uma porta para o precipício espiritual.

A parábola do Rabi da Galileia, "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus" referia-se à elite que se instala como uma bactéria posseira e destrutiva à alma.

Ramakrishna dizia o mesmo. O guru hindu comentava que o poder do dinheiro era capaz de corromper qualquer ideal ligado à divindade que habita em nós.

Na minha avaliação, a energia das cifras, assim como toda e qualquer energia, é neutra, não é boa, nem má. Somos nós que a canalizamos para as sombras ou para a luz. A moeda pode comprar um livro que verta sabedoria, pode patrocinar uma viagem que nos traz benefícios, pode ajudar a quem necessita. Mas, também pode adquirir prejuízos irreversíveis à nossa missão na Terra, pode subsidiar vícios, pode nos trazer infernos e prejudicar a quem odiamos e até a quem amamos.


Para mim, assim como a pobreza, a riqueza é um instrumento cármico, uma provação até mais substancial do que a miséria. Na riqueza podemos alavancar encarnações como a de José de Arimateia, por exemplo. Todavia, infelizmente é uma agulha no palheiro.

Certa vez, um rico foi ter com Jesus pedindo para que o Mestre o deixasse seguir. Não foi à toa que o Rabi pediu a este abastado que vendesse tudo e oferecesse aos pobres como condição para segui-lo. O rico virou as costas e foi embora... No entanto, no grupo que acompanhava Jesus, havia pessoas de posse e que ajudavam na manutenção do séquito.

O dinheiro não é o problema, o grande entrave é a sua contaminação.

Se você é rico, não se desespere com estes ensinamentos. Utilize esta energia com sabedoria, espalhe a luz e assim entrará no reinos dos céus.

16.3.18

MARIA MADALENA, A LOUCA DO RABI ESTÁ NOS CINEMAS

Uma Myriam de Magdala muito próxima à minha intuição e a que foi retratada em meu primeiro livro "Eu, Pilatos" (ah meu livro ainda tão incompreendido e oculto para a maioria...).

O que eu pude ver no cinema hoje foi a essência de Maria Madalena. TODAS as pessoas deveriam fazer um esforço de visitá-la nas salas de projeção, não só por ela, mas pelos outros personagens tão humanos como o próprio Rabi da Galileia.

No filme, logo surge uma Maria incomodada com o modus vivendi
 das tradições judaicas de sua época. Certamente, trata-se de um grande ícone do nascimento do feminismo (ATENÇÃO! FAÇAM JUS A ELA!!!). Protesta, luta, vocifera, grita e rompe com os "mandamentos" masculinos de sua família. Corajosa, "louca", embrenha-se numa jornada, interior e exterior, em busca do verdadeiro Deus, não o que está escrito nas escrituras, e sim, Ao que mora no coração das pessoas. E lá vai Maria, andarilha e companheira, colo afetuoso de Jesus. Uma MULHER, com todas as letras maiúsculas e que jamais abandona sua missão.

Na película também podemos encontrar um Jesus sorridente, em trapos, choroso às vezes, humanizado, no entanto integralmente divino. Um Jesus com medos e tristezas, todavia mártir de uma humanidade pautada no desamor (e que ainda é ou não?).

Podemos também observar um Pedro negro, ciumento, possessivo, mas forte e caridoso, líder. Além de um Judas entusiasmado com o Reino que estaria por vir e com a mudança do poderio saindo das mãos dos gentios para a coroação definitiva do Império do seu Rabi. Um Judas que jamais traiu, mas que, como um urubu do sacro ofício (sacrifício), foi incumbido pelo Mestre a fazer a parte mais suja de todas, entregá-lo.

Emocionei-me por Maria Madalena. Ela foi bem mais justiçada.

E aguardo ansiosamente que Judas Iscariotes também seja redimido e elevado a quem verdadeiramente foi.

Salve Myriam de Magdala, a quem foi feita puta por um papa, mas que é uma das mulheres mais santificadas que existiu em nosso planeta.

6.3.18

DE MÃOS DADAS PELA PAZ NA SÍRIA


Hoje, o manto carmim de Jesus suavemente tocou a face das crianças sírias. Todas as chagas se iluminaram e abandonaram a pele dos pequenos. Todas as crianças jazidas se ergueram do pó do chão e deram suas mãozinhas, antes sujas de sangue, para os homens de luz do deserto.

Se você pensa que o Cristianismo está na Bíblia, isso é um engano. O Cristianismo está no coração piedoso dos que trabalham por Jesus. Não está nas epístolas, nem nos capítulos, nem nos incisos, muito menos nos mandamentos de um deus sanguinário e vingativo. Está na obra de amor e na compaixão aos mais necessitados.

Onde há uma explosão, ali estão os enfermeiros do perdão. São cristãos, judeus e muçulmanos irmanados em um só propósito: o amor universal.

Não podemos ver, nem enxergar, mas tudo que sofre, entre maternidades, hospitais, ruas e casas rubras, recebe a assistência dos anjos e dos espíritos altivos.

Na Espiritualidade, a Primavera se faz com flores e não com bombas.

Hoje, os andarilhos brilhantes do deserto estão ungidos pelo socorro.

Essa é a verdadeira religião que os une a Deus, a Adonai, a Abba, a Alá.

26.1.18

Os mesquinhos de hoje serão os miseráveis de amanhã

A Casa Grande não seria tão grande se não fosse a mesquinharia. A elite não gosta de dividir.

Quem divide é a Senzala. Os escravos são solidários. Os Senhores do Engenho são egoístas e avarentos.

Se fosse possível, a Casa Grande nem teria empregados. Se em alguma reforma trabalhista, a Casa Grande não precisasse pagar o 13° salário ou as férias, vocês acham que ela pagaria por compaixão?

Se pudesse usar máquinas, usaria.

A Casa Grande odeia o povo porque enxerga o povo como escória. A Casa Grande se sente tão grande que se vê superior à Senzala.

Muitos escravos, para agradar seus Senhores, os defendem na intenção de ganharem pontos. Pura ilusão. Na primeira oportunidade, os escravos, baba-ovos de ofício, também serão prejudicados.

Ei, você da Casa Grande! Aqui você tem privilégios. Mas, saiba que os Senhores do Carma estão contabilizando suas faltas.

A riqueza também é um processo cármico. O mesquinho desta encarnação será o miserável da próxima.

Dos religiosos que se omitem

É notável que alguns grandes líderes religiosos e espiritualistas, muitos não tão grandes assim, têm mantido uma postura neutra diante do mo...