Em nome do desejo, inimigos vorazes se "pegam" no Carnaval

Entre as cenas que mais me atraíram a atenção neste pré-carnaval (já não bastasse o próprio, agora tem que ter o pré...) em São Paulo, num calor senegalês de 35 graus na sombra, era a de um casal que se "pegava" embaixo de uma árvore, num quase coito, no Ibirapuera.

O homem, trajado de camiseta da CBF e chapéu verde-amarelo estilo Tio Sam, e uma diabinha vestida de vermelho PT... Achei curioso ver que este casal tão díspare estava semi-copulando ao som de um funk samba...

Eu fiquei imaginando os xingamentos bolsonaristas e misóginos, que o sujeito costuma "mantralizar" ao longo do ano... e, ao mesmo tempo, as vociferações indignadas da esquerdista, entoadas pela travestida de diaba, contra a misoginia.

Os dois se odeiam o ano todo pelas redes sociais, mas, quando chega o carnaval, a "carne" vale mais do que mil ideologias. No carnaval pode tudo, até mesclar as energias sexuais do Fernando Holiday com alguma feminista... Será?

É meio que uma imitação do que acontece no natal. As pessoas se ofendem o ano todo, mas trocam presentes de amigo secreto e dividem o mesmo peru assado.

O nome disso é hipocrisia. E o objetivo final é realizar os desejos mais vorazes.

Acabou a folia, começam as outras festas: a do desrespeito, a da ignorância, a da intolerância, a do preconceito.

Assemelha-se ao dono do engenho na época da escravidão: ele é racista, mas gosta de saciar suas volúpias sexuais nas escravas negras. Daí não tem racismo, né?

O ano todo o sujeito é homofóbico, mas no carnaval, ele se junta à turba de homossexuais e canta: será que ele é, será que ele é: bicha!!!

Meu Deus, quando este país vai amadurecer?

#carnaval #pré-carnaval

Comentários

  1. Ah! Querido Maurício, você e sua genialidade. Quantos de nós gostaríamos de vislumbrar um novo caminho para o nosso grandioso país!!!
    Beijos carinhosos.

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