ESPIRITUALISTAS NÃO PRECISAM LEVITAR E COMER INCENSO, AS VEZES É PRECISO FIRMAR OS PÉS

Um dos capítulos que mais me chamou a atenção no livro "Autobiografia de um Iogue Contemporâneo", de Yogananda foi o encontro com Mahatma Gandhi. Para quem não sabe, em sânscrito a palavra "maha" significa grande, e "atma" quer dizer alma. Grande Alma. 

Gandhi era advogado e conhecia muito bem as leis do seu país. Naquela época, em meados dos anos 40, a Índia era colônia da Inglaterra. Os hindus eram subjugados pelo ferrenho capitalismo inglês. Algo precisaria ser feito. E Mahatma Gandhi promoveu sua política de "ahinsa", isto é, a opção pela não violência para tornar a Índia independente da Inglaterra. E assim, milhares de hindus foram assassinados pelos ingleses, sem revidar um tapa sequer. Conclusão: no dia 15 de agosto de 1947, honrosamente o dia do meu aniversário, a Índia se tornou independente da Inglaterra.

O que eu quero dizer com isso? Simples, você acha que Mahatma Gandhi ficou meditando, levitado em cima do tapete, e se alimentando de prana? 

Isto posto, creio que qualquer militância que tenha como bandeira a justiça e o bem estar da sociedade, conta com respaldo espiritual. E não estou defendo a esquerda ou a direita política. Defendo a justiça e as ações sociais. 

Quantas vezes nas próprias escrituras hindus como, por exemplo, o Mahabarata, a batalha precisa ser combatida. Foi deste modo que Krishna, um dos mais iluminados espíritos que pisaram na Terra, incitou Arjuna a ter coragem de travar o bom combate. 

Não é uma apologia à guerra. Muitas vezes é preciso ter uma atitude mais firme, assim como Jesus teve quando chutou o balde com os vendilhões do templo. 

Não basta ficar mantralizando e acender um incenso de massala para combater as atitudes sombrias. Muitas vezes é preciso ações mais firmes, sem perder a ternura jamais, parafraseando Che Ghevara

Orações, meditações, mantralizações, pensamentos positivos, sentimentos sublimes, boas leituras, mentalidade artística, exercícios de afeto são expressões da espiritualidade. No entanto, muitas vezes as ações revolucionárias para um intento evolutivo ou as atitudes mais firmes, não violentas, para o um bom propósito e o bem estar da humanidade, também são manifestações divinas e expressões da alma e, ainda por cima, podem também expressar a vontade de Deus. 



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