No Reino da Fila Anda, que já sentiu é Rei!

Ontem, ao voltar de Campos, coloquei algumas fitas cassete para destravá-las e relembrar alguns sons que nos cds não aparecem. Escutei All by Myself, do Eric Carmen, Take me Now, do David Gates (Bread), Take look at me Now, do Phil Collins, entre outras. Pensei em alguém que está muito próximo de mim. Estas canções nos remetem ao romantismo, ao mito do amor romântico que já não existe mais. Mas, confesso que me deu uma nostalgia do tempo em que eu podia pensar em alguém...

Hoje eu já não posso mais pensar em alguém porque ao mesmo tempo que a gente cria expectativa, a gente destrói por falta de reciprocidade. Ninguém pode mais sonhar com ninguém porque a realidade encobre os sonhos. A realidade não é mais uma canção lenta e sim, um funk de palavrões, um heavy metal medonho, um samba de quinta.

Aqueles acordes lentos e melódicos tocam fundo o sonho romântico. A gente faz planos mentais, a gente se vê abraçado à pessoa que a gente está afim. A gente chega ver até beijo na boca... E quando a gente vai ver mesmo, a fita acabou e a música agora é outra. Não há mais o mito, há a verdade sacana. Será que eu sou um tolo?

Não há mais notas de piano. Não há luz negra. Oboés e backings negras. Não há beijo sentido. Não há dança colada. A gente não pode sonhar mais com ninguém.

Este mito do amor romântico caiu no calabouço da realidade insensível.
Há sexo.
Há gente dependendo de gente.
Há necessidade e interesse.
Há gente tapando o buraco de gente.

No mundo das relações fugidias e sem conteúdo, eu consegui sentir um dia.
No reino da Fila Anda quem já sentiu é Rei.
Sim, eu posso dizer que eu menti para mim mesmo com as relações românticas, mas era bem melhor que a verdade nua e crua do nada.


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